Hoje eu entrei em uma fase da escrita do livro que estava demorando pra chegar (eu realmente preciso voltar para a terapia, mas ter um bom professor as vezes ajuda pacas). Avisei no Facebook que vou estar fora e consegui mergulhar no espírito da história.
Não sei explicar muito bem meu processo criativo, mas envolve uma espiral bem maluca de coleta de referências e construção mental da trama, mas eu preciso ter escrito alguma cena chave para conseguir cair dentro da história e a partir daí a coisa fica obsessiva, eu acordo, durmo, como e respiro aquela história. Agora cada segundo do meu tempo acordada parece ser uma foto em dupla exposição, ao mesmo tempo aqui e no mundo que estou escrevendo.
É um pouco o jeito como eu leio.
Ler fez parte desse processo. Li um livro, de uma autora bem legal chamada Ana Lúcia Merege, e li algumas coisas minhas que estão engavetadas. Eu pretendo falar delas por aqui uma hora dessas.
Pode parecer arrogante, mas quando leio coisas que escrevi a tempo suficiente para ter me esquecido das palavras, eu vejo que escrevo bem. Claro que tem muito a melhorar, sempre tem. Mas o material é bom.
Isso me dá mais segurança. Porque mesmo que nesse momento pareça que não sou boa o bastante para contar a história de Alma, eu sei que só eu posso contar essa história, assim como só eu posso contar a história da Serpente, e só eu posso contar a história de Dandara (vou mudar esse nome) e dos três Corvos. Porque embora outras pessoas possam saber mais do mundo real que se reflete feito espelho no meu mundo fictício, só em mim moram essas exatas palavras e só minha voz vai dar vida para eles.
Até o momento em que estejam impressos ou na tela de outras pessoas. Só então é que outras vozes vão poder se somar a minha para continuar essas histórias.
Nenhum comentário:
Postar um comentário